sexta-feira, 18 de abril de 2008

Quem é o seu herói?

Os heróis dos nossos pais eram os revolucionários, comunistas, pessoas de esquerda que queriam mudar o mundo: Che Guevara, Lamarca, Luis Carlos Prestes e tantos outros que pegavam em armas para lutar contra os regimes ditatoriais. Eles acreditavam em um mundo melhor, menos desigual e mais democrático.
As Diretas Já foram a mais recente manifestação a favor da democracia. Os Cara-pintadas saíram às ruas em busca do Brasil que lutavam há décadas; não aceitaram fechar os olhos para não ver a realidade. E quanto tempo isso faz? Anos? Décadas? Faz quase vinte anos que o Brasil continua do mesmo jeito.
Como diria Cazuza, “Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder”. Esses são os novos revolucionários. Nós conseguimos manter o sonho dos nossos pais. Estamos mudando o mundo em frente ao computador, votando no político menos pior, nos aprisionando nos grandes prédios, bebendo Whisky enquanto nosso vizinho morre de sede e fumando um baseado enquanto o Planeta explode. Nosso mestre é o dinheiro que pode nos dar tudo.
É, talvez a música cantada por Elis Regina hoje já não faça mais sentido. Nos esquecemos até mesmo que temos pais e vivemos como o Tio Sam sonhou. Heróis, quem precisa deles? O mundo já
mudou.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Retrato do Mundo Moderno


O mundo passou nas últimas décadas por um desenvolvimento surpreendente em diversas áreas. A economia, a tecnologia e as ciências evoluem de modo a proporcionarem conforto e satisfação imediata para as pessoas. Porém, observa-se ultimamente o surgimento de várias crises, sejam estas, políticas, sociais ou religiosas.
A atualidade está diretamente relacionada ao projeto de mundo moderno consolidado com a Revolução Industrial. Esse ideário é normalmente associado ao desenvolvimento do capitalismo, que se caracteriza pelo consumo massivo de bens e serviços. Assim, a estrutura econômica atual se baseia no capital que, por sua vez, comanda o trabalho e onde as riquezas acumuladas têm valor superior ao homem.
Com o capitalismo, as relações humanas passaram a ser inseguras, ansiosas, frias e o homem tornou-se um ser inclinado a oprimir o semelhante em troca de benefício próprio. A política, por exemplo, mergulhou numa crise terrível; os escândalos constantes de corrupção levam as pessoas a perderem a confiança em seus candidatos. Até mesmo a família contemporânea e a religião entraram em crise com a perda de valores e princípios do mundo moderno.
Com certeza, o mundo contemporâneo vive em contínua evolução tecnológica e científica proporcionada pelo capitalismo. Mas as particularidades humanas se perdem nessa sociedade materialista pautada na velocidade, na satisfação imediata, no egoísmo e na riqueza. Desse modo, sem dúvida, as crises políticas, sociais e religiosas da atualidade somente serão superadas quando o homem deixar de ser uma fera egoísta e retomar o emaranhado que compõe a verdadeira cultura humana baseada em valores, significados e princípios individuais.

Pegadas

Uma angústia me sufoca,
chega a doer
numa tortura lenta.
Palavras que vêm,
confundem-se,
esbarram-se,
travam luta em mim.
Posso ouvir seus clamores,
sons desordenados
que tento decifrar.
Enxugo cada nota indócil
que ousa esquivar-se,
faço-a fluir aos poucos,
lentamente,
levemente embebida de sensações.
Queria ser exímio nisso.
Falta-me tanto.
Quem sabe um dia...
Talvez minha vida seja ser
Eira das palavras.
Efusão de sentimentos.
Pois por enquanto,
eis que estou
semeando sons
cá dentro de mim...