Céu estrelado e colorido; fagulhas secas e compridas riscando-o e bandeirolas imensas a enfeitá-lo. É assim que me encontro ao luar nas interioranas noites do santo festeiro. Pura alegria e a sintonia em pares a cada toque de zabumba.
Como
o som triângulo
ríspido
e compassado
que me perpassa
inusitado.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
Cristais
Me sinto mergulhada
em nuvens brancas.
Um grito.
Não tenho medo,
é Deus.
Há uma luz sendo refletida
no horizonte,
por alguns segundos fez-se cristalina
e logo se desfaz,
volta a ser opaca.
Uma freada.
Talvez seja o objeto escuro
que passou por mim
ou a mancha avermelhada
que ficou para trás.
Quase noite
e apenas um feixe de luz
refletido no fragmento de nuvem branca.
Chove a alguns quilômetros daqui.
Uma cortina de cristais
descendo de dois sulcos no céu.
Nuvens pálidas e pesadas
desabando sobre as montanhas.
Fico gélida e enregelada.
As árvores balançam por aqui,
vejo pessoas estranhas
caminhando lentamente
e a chuva a cair mais fraca,
pousada no mesmo lugar.
Um instante.
Paro.
O vidro se cobriu de rabiscos
frios, molhados e agudos.
Tudo envolveu-se por aqui.
Desespero no asfalto molhado,
clarões correndo rapidamente,
eucaliptos balançando suavemente.
A chuva que toca o vidro em cristais.
em nuvens brancas.
Um grito.
Não tenho medo,
é Deus.
Há uma luz sendo refletida
no horizonte,
por alguns segundos fez-se cristalina
e logo se desfaz,
volta a ser opaca.
Uma freada.
Talvez seja o objeto escuro
que passou por mim
ou a mancha avermelhada
que ficou para trás.
Quase noite
e apenas um feixe de luz
refletido no fragmento de nuvem branca.
Chove a alguns quilômetros daqui.
Uma cortina de cristais
descendo de dois sulcos no céu.
Nuvens pálidas e pesadas
desabando sobre as montanhas.
Fico gélida e enregelada.
As árvores balançam por aqui,
vejo pessoas estranhas
caminhando lentamente
e a chuva a cair mais fraca,
pousada no mesmo lugar.
Um instante.
Paro.
O vidro se cobriu de rabiscos
frios, molhados e agudos.
Tudo envolveu-se por aqui.
Desespero no asfalto molhado,
clarões correndo rapidamente,
eucaliptos balançando suavemente.
A chuva que toca o vidro em cristais.
domingo, 19 de abril de 2009
Ser tímido é ser discreto?
Timidez é algo que as pessoas sempre relacionaram à minha imagem. Um estereótipo comum, normal, aceitável e saudável. Saudável até certo ponto, diga-se. Quando ser tímido interfere na vida social e profissional é diferente, ela passa a não ser tão saudável assim.
É justamente o social e o profissional o ponto em que quero chegar. Nunca tive problemas em conhecer pessoas e me relacionar com elas, tampouco ser tímida interferiu na minha escolha de profissão. Claro que a maioria das pessoas - principalmente aquelas que não me conhecem ou me conheceram em um momento de calma e/ou cansaço - indagam: mas você faz jornalismo sendo tímida?
Primeiramente, nem todos os jornalistas, acredito que a maioria, não são pessoas tão falantes. Comunicativos decerto que são, pois ser comunicativo é conseguir se expressar bem ao ponto de ser entendido pelo outro, o que não significa necessariamente falar muito. Além disso, jornalismo é uma área ampla, cheia de possibilidades; um editor, por exemplo, sendo tímido, ele não encontrará a mesma dificuldade se fosse um repórter.
Outro aspecto é o meu prazer em conversar com as pessoas, principalmente as humildes. O contato individual me leva não apenas a conversar e sim criar um vínculo sincero com elas. Permitir-se é fundamental, conhecer, entender o outro e outros contextos é uma forma maravilhosa de conhecimento. Quem convive comigo no âmbito profissional/educativo também sabe que falar em público não me inquieta tanto. Se o meu objetivo é informar ou entender algo, não vejo nenhum temor nisso.
Assim, a timidez, tema dessa abordagem, é um comportamento que pode causar até mesmo alterações fisiológicas. Porém, no dia-a-dia ela é geralmente confundida com discrição, acredito que seja o meu caso. Por trás de alguém discreto há possibilidades diversas, o outro é como você, carregado de idéias e sentimentos esperando o momento certo de serem expressos.
sábado, 28 de março de 2009
domingo, 15 de março de 2009
Fuga
Sem externar
o que me inquieta,
calo,
para tornar refúgio
do vazio.
A realidade transcendida
e alongada a outra
incandescente,
tolerável.
Fujo
mesmo reconhecendo
a vida ilusória.
Sem tormentos
e inquietações,
esqueço
minha raiz trêmula.
o que me inquieta,
calo,
para tornar refúgio
do vazio.
A realidade transcendida
e alongada a outra
incandescente,
tolerável.
Fujo
mesmo reconhecendo
a vida ilusória.
Sem tormentos
e inquietações,
esqueço
minha raiz trêmula.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
O Carnaval como um vírus
Para Vygotsky, psicólogo russo, o meio influencia o homem. Se tratando do Carnaval, é impossível não enxergar o quanto esta festa é contagiante. Uso o termo contagiante no sentido literal da palavra: pegar por contágio. E como são muitas as pessoas que são “contagiadas” por sensações e opiniões diversas nesta época no ano, me restrinjo a apenas três grupos que se manifestam na capital baiana.
Outro dia, ouvi no ônibus as seguintes palavras de uma senhora quase idosa: “Tomara que chova nesse Carnaval”. Com esta frase, ela se encaixa no grupo dos Aborrecidos composto pelos fanáticos religiosos, os traumatizados e os eternamente estressados. Cada um com os próprios motivos, além de não gostarem de Carnaval, eles torcem para que algo ruim aconteça e estrague a alegria dos foliões; como se uma chuva, por exemplo, fosse mesmo capaz de tal façanha.
Os Guerrilheiros fazem parte do segundo grupo. Não é difícil identifica-los, eles enchem os supermercados na véspera da festa e saem carregando água e mantimentos. São sacolas e mais sacolas fartas preparadas para enfrentar a guerra. Guerrilheiros também são os lojistas, visto que são experts em armar trincheiras de madeira; tudo para proteger seus bens.
Por último, lhes apresento os Indecisos. Mesmo não gostando de Axé e convictos desde o ano anterior de que esses seriam dias de descanso, não suportam a pressão da televisão e do clima e caem no ritmo. Mas não há o que temer, afinal não existe no lado oeste de Greenwich vírus mais contagiante que o Carnaval – leia-se contagiante, pois o contagioso já é outra história...
Outro dia, ouvi no ônibus as seguintes palavras de uma senhora quase idosa: “Tomara que chova nesse Carnaval”. Com esta frase, ela se encaixa no grupo dos Aborrecidos composto pelos fanáticos religiosos, os traumatizados e os eternamente estressados. Cada um com os próprios motivos, além de não gostarem de Carnaval, eles torcem para que algo ruim aconteça e estrague a alegria dos foliões; como se uma chuva, por exemplo, fosse mesmo capaz de tal façanha.
Os Guerrilheiros fazem parte do segundo grupo. Não é difícil identifica-los, eles enchem os supermercados na véspera da festa e saem carregando água e mantimentos. São sacolas e mais sacolas fartas preparadas para enfrentar a guerra. Guerrilheiros também são os lojistas, visto que são experts em armar trincheiras de madeira; tudo para proteger seus bens.
Por último, lhes apresento os Indecisos. Mesmo não gostando de Axé e convictos desde o ano anterior de que esses seriam dias de descanso, não suportam a pressão da televisão e do clima e caem no ritmo. Mas não há o que temer, afinal não existe no lado oeste de Greenwich vírus mais contagiante que o Carnaval – leia-se contagiante, pois o contagioso já é outra história...
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Do Alto Bonito à Pedreira*
São tantos os lugares perdidos nesse país a que chamam de Brasil. É só pisar por aí, seguir caminhos não tão distantes para que diversos brasis dentro de uma nação sejam revelados.
Traçando o asfalto ressequido com suas crateras expostas e pedregulhos a rolar, porventura fui ao encontro do Alto Bonito. Certamente, o nome dado ao bairro, que afronto numa placa torcida condensada em azul, remete a tempos passados. Aquele deveria ser, decerto, um belo lugar.
Andando mais além, chega-se à Pedreira, grande monte donde avista-se a pequena planície da Lagoa do Arroz. Essa é uma região que sempre me instigou. Quando eu e minha família voltávamos da roça do meu pai, meu princípio de súplica voltava-se para ali. Pedia que fôssemos para casa por aquele caminho. E bastava virar a curva para o imenso despenhadeiro se apresentar a nós. Daqui a Pedreira, do outro lado o bairro do Arroz e entre os dois a Lagoa. Misto de medo e admiração que florescia em mim. Naquele lugar era tudo tão impreciso, como se de repente tiraram-lhe uma fatia de terra e na planície vazia juntaram-se as águas vindas do céu.
Imagino como seria a Maria Fumaça apitando rente ao monte e os passageiros a espreitar a paisagem pelas janelas dos vagões. Deveras, muitas lendas e histórias surgiriam naquelas épocas remotas. Quão majestosa vista!
A cidade foi crescendo e as primeiras casas foram sendo construídas, se estendendo aos outros bairros. Hoje, parece que o Alto Bonito e a Pedreira foram esquecidos pelos homens do poder. Das janelas dos poucos carros circulando por ali avista-se uma lagoa aterrada, esgoto correndo pelas ruas, crianças brincando descalças, carroças carregadas de areia, galinhas ciscando a terra, cachorros espantando as moscas e ao fundo uma música que fala de Deus; esperança, vinda de onde já nada se espera.
*(publicado no Jornal Vírus, Ano VII, Nº 34, Miguel Calmon - Ba, Janeiro/2009).
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