quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Festa para poucos

Outra noite passa.
Nem amanheceu

e a caminhonete
sobe a ladeira carregada
de trabalhadores.
A banda continua tocando.
Alguns bebem, outros dançam.
Deste lado, o dever
está em todos os lugares.
A banda não para,
os trabalhadores descem
como operários invisíveis.
A feira que é montada
move toda a cidade.
Daí sai o pão, o suor,
o dinheiro, a vida de muitos.
Irritante som misturado
aos passos sonolentos de cá.
E a banda não para.
Faz frio,
a garoa cai mansa para um despertar
mais tranquilo.
Tem laranja, tem roupa,
tem queijo e carne...
Os preços poderiam ser mais reais,
tanto trabalho,
tanta despesa para uns trocados a mais.
E a banda não para.
Um pedaço do mundo está aqui,
naqueles que brindam,
nestes que trabalham.
Mundo injusto e desigual.
Não adianta acelerar o passo,
um vento fraco não move moinho.
Melhor fechar os olhos,
fingir que dormir vai mudar algo. Não adianta.
A banda não para.

1 comentários:

mardson machado disse...

Olá!
Parabéns pelo seu blog! Muito bom.
Gostaria de aproveitar a visita para divulgar o meu blog. Trata-se do contra-afronta.blogspot.com, onde temas como política, cultura, comportamento e cotidiano são abordados, tendo como foco principal os problemas da cidade de Salvador.
Estou aguardando a sua visita.
Abraço!