quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ciganos

Você sentaria ao lado de uma cigana e conversaria com ela? Ou estudaria no mesmo colégio que os filhos dela? Difícil responder que sim quando o contexto social os difere. Será que vale mesmo a pena ter contato com esta comunidade que às vezes está entre nós, mas não faz parte de nós, como escrito por Ático Vilas Boas da Mata no prefácio do livro “Ciganos – Antologia de Ensaios”?

Nunca paramos para pensar que os ciganos também são imigrantes. Diferente dos japoneses, italianos, portugueses e judeus que vieram para o Brasil, ninguém sabe ao certo de onde eles vieram e a que aspiram. Não trabalharam nas indústrias, nem nas plantações de café, e permanecem vivos. Sobrevivem sem juntar riqueza e são esquecidos pelo Estado. É uma minoria inexistente nos debates e nem por isso se incomoda, até prefere que seja assim.

E por que a desconfiança de achar que todo cigano vive de golpes e roubos? Na França, eles são expulsos por não terem residência nem emprego fixo. Por serem pobres, são levados à força para a Romênia, país onde representam 2% da população. No Brasil, a situação é mais cômoda. Os ciganos estão espalhados pelo país como anônimos.

O melhor é que além da capacidade de sobrevivência, eles mantêm vivas as tradições milenares, estas transmitidas oralmente. Povo que me encanta pela beleza, roupas, modo de vida e pelo mistério. São minhas lembranças da infância, a convivência e o respeito que me fazem debruçar sobre os seus costumes. Eis o desafio.

Por enquanto, vou colhendo livros e vídeos. O curta a seguir foi produzido pela atriz francesa Fanny Ardant:

1 comentários:

Momento de lapidário disse...

Grande mais belo desafio Lú.È tão bom ver que existem pessoas que sabem ver com seus próprios olhos o que mais ninguém quer ver.
estamos aí!