De onde vem e para onde vão
essas pessoas que passam
em minha frente?
Faces desconhecidas negociam preços,
carregam bagagens e
olham-me de relance.
Já tenho uma hora de espera.
Faz frio e chove em toda a cidade.
Se não fosse um rabisco torto
escrito na passagem,
eu já estaria distante daqui.
A vontade de ficar
e a lágrima no rosto
seguram-me por duas horas,
viajo dividida.
Fragmentos de mim restarão,
ficarão colados na poeira
espelhada por onde passei.
Contenho o soluço
e agarro um mundo cheio de esperança.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
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1 comentários:
Gosto desses relatos seus, que misturam o que há de comum na vida cotidiana com toques de literatura. Mas deixa eu adivinhar: o cenário do seu texto era a estação da Lapa? " [...] negociam preços, carregam bagagens [...] Já tenho uma hora de espera [...]", lembrei das cenas do comércio que sempre tem lá enquanto as pessoas esperam seus ônibus.
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