sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Lula assina reconhecimento de três áreas quilombolas no estado

Para 137 famílias quilombolas da Região do Rio São Francisco, a comemoração do Dia da Consciência Negra deste ano representou ainda mais do que tradição, identidade e reflexão. A data marca, também, o reconhecimento legal de posse dos territórios herdados de seus ancestrais.

As comunidades Jatobá, Lagoa do Peixe e Nova Batalhinha já foram refúgios para os escravos que alimentaram a economia da região no período colonial. Até hoje, os seus descendentes sobrevivem na área praticando a agricultura familiar e de subsistência, a pecuária e a pesca. Estes três territórios, às margens do Rio São Francisco estão entre as trinta comunidades quilombolas espalhadas pelo país contempladas por decretos de regulamentação de terras que forão assinados pelo presidente Lula, na Praça Castro Alves, centro de Salvador.

Pela primeira vez, termos de reconhecimento de territórios remanescentes de quilombos envolverão desapropriação de terras. Segundo o coordenador de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra, Flávio Assis, muitos membros de territórios remanescentes de quilombos deixaram esses locais aos poucos, mas com a regularização, as comunidades podem ter mais estabilidade.



“Maior parte das comunidades quilombolas ficaram esquecidas do poder público no período pós-escravidão. Essas comunidades vivem da terra, tem uso coletivo da terra. Elas preservam muito sua cultura, suas tradições e a regularização fundiária vem justamente dá segurança a essas comunidades que por muito tempo passaram por um processo de expropriação desses territórios”, diz Assis.

Além da obtenção legal de 15.946 hectares, a partir de agora, as famílias de Jatobá, Lagoa do Peixe e Nova Batalhinha passam a ter prioridade na implementação de projetos do Governo Federal como o Luz Para Todos e o Bolsa Família. Enquanto isso, outras 22 comunidades quilombolas baianas esperam o reconhecimento por meio de portarias emitidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Em treze comunidades, o RelatórioTécnico de Identificação e Delimitação (RTID), que identifica e delimita territórios utilizando pesquisas de ancestralidade, tradição e organização, foi publicado no Diário Oficial do Estado. Outros doze grupos aguardam a conclusão dos relatórios de reconhecimento pelo INCRA.

País
No total, serão regularizados 342 mil hectares em 14 estados brasileiros, com 30 comunidades reconhecidas oficialmente pelo Estado. O Maranhão encabeça a lista, com cinco áreas beneficiadas, alcançando um total de 654 famílias. Além das comunidades baianas e maranhenses, o decreto abrange grupos de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Para o diretor de Ordenamento da Estrutura do Incra, Richard Torsiano, a medida, adotada pela primeira vez, tem um significado importante para a população brasileira. “O Governo Federal assume uma responsabilidade, assume um papel de resgatar uma dívida histórica com essas famílias”, diz Torsiano.

(Notícia publicada na edição impressa do dia 20/11/2009 do CORREIO)
Link:http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=41965&mdl=50

sábado, 21 de novembro de 2009

Yorùbá: língua, memória e parte da consciência do povo negro


Diferente de línguas mortas como o latim, o grego arcaico e o aramaico, há uma língua de tradição falada, surgida há milênios e que atravessou o Oceano Atlântico nos porões nos navios negreiros vindos da costa ocidental africana para sobreviver até hoje na Bahia: o yorùbá.

Dividido em centenas de dialetos e falado por 30 milhões de pessoas espalhadas por Benin, Nigéria, Togo, Serra Leoa e Cuba, termos como abadá, acarajé, afoxé, agogô, axé, caruru, ilê, kabula, oiá, vatapá, xinxin e zumbi mostram que palavras do dicionário yorùbá também fazem parte do dia-a-dia dos baianos. “O yorùbá é tão falado aqui na Bahia que as pessoas usam palavras no diálogo e não sabem que têm origem no yorùbá”, explica a coordenadora pedagógica da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, Alexsandra Oliveira.

Antes mesmo da implementação da lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história da África e da cultura afro-brasileira, a Escola, nascida informalmente na década de 70 como uma creche, já era referência no ensino das tradições e dos mitos africanos. Apesar de não existir uma disciplina específica para o ensino do yorùbá, a diretora Ana Lice Mendes esclarece que as crianças aprendem palavras de saudação e formas de tratamento da língua.




Chegada

Três grandes grupos foram trazidos para o Brasil no século XVI: Yorubá, culturas africanas islamizadas e tribos Bantu. Desde aquela época, a África era uma imensa babel de línguas e o Yorùbá era mais um idioma da família lingüística nigero-congolesa. Mas a língua ganhou destaque no estado baiano por ser a língua adotada pela Nação Ketu. “A maioria dos negros que chegaram à Bahia veio da Nação Ketu e o yorùbá é mais falado nas regiões originárias dessa nação”, ressalta a vice-diretora da escola, Ivanildes Nascimento.

O ensino

“Nós não ensinamos o yorùbá. Nós utilizamos palavras como paz, amor, com licença, bom dia, boa tarde, até logo... É uma forma de resgate da cultura africana, mas não existe uma disciplina especifica para o ensino do yorùbá na escola, até porque não é nosso objetivo. A escola é conveniada à Prefeitura Municipal e as matérias atendem a um currículo sistêmico. Implantar o yorùbá dentro desse sistema seria complicado, pois é uma língua muito difícil que pode gerar interpretações dúbias. Então, passar isso para as crianças seria um tanto complicado”, afirma a diretora da Eugênia Anna dos Santos.

A escola fica na rua Direita de São Gonçalo e funciona dentro do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, comandado pela ialorixá Mãe Stella de Oxossi. Em 1992, a escola foi incorporada ao sistema ensino de Salvador atendendo, atualmente, crianças 6 a 14 anos da 1ª a 4ª série. No entanto, mesmo que o projeto pedagógico contemple processos referenciais da cultura afro-brasileira, há crianças de outras religiões que seguem o conteúdo regular do Ensino Fundamental. A coordenadora pedagógica, Alexsandra Oliveira, afirma que a escola não trabalha com religião e sim com o resgate cultural.

Neste contexto, a referência estabelecida pela Escola Eugênia Anna dos Santos com o Yorùbá ajuda a fortalecer o elo Bahia-África. “É importante falar que a proposta da pedagogia da escola é o resgate da cultura afro-brasileira. O yorùbá é uma das diversas línguas faladas no continente africano, então, se nós trabalhamos com o resgate, porque não fazer referência a essa língua que é tão utilizada por este povo? São palavras mágicas que de certa forma ajudam a não deixar a língua perder. Se trabalhamos como a cultura afro-brasileira porque não trabalhar com os elementos dessa cultura como um todo?”, conclui a coordenadora.

(Reportagem publicada no site Correio24horas.globo.com: http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=41732&mdl=50#comentarios)

domingo, 1 de novembro de 2009

Por ti

E o querer
por ti viver,
por ti sonhar,
por ti sorrir,
por ti apenas
desejar,
a vida inteira
por ti amar.

Todas as formas

Vem dos céus,
brota da terra
e corre em direção ao infinito.
Nuvens se formam
e logo se dissipam,
outras se desfazem
em múltiplas formas.
Raios, chuviscos, trovoadas,
garoa fraca, calmaria.
Lá pras bandas do sertão,
a terra racha
a procura de um fio d’água,
e no litoral
impera imenso mar.
Deixai as ondas baterem nas pedras
e se estenderem pelos sulcos da areia.
Das cascatas pode rolar
ou como um manto suave
no azul repousar.
É sinal de vida,
é sinônimo de fartura,
Água,
onde a natureza nasce,
onde o planeta sobrevive.

domingo, 11 de outubro de 2009

Brasil sente altitude de La Paz e perde para a Bolívia por 2 a 1

O Brasil sentiu a altitude no estádio Hernando Siles, em La Paz, e perdeu mais uma vez para a Bolívia. A seleção Brasileira já carimbou a sua vaga na Copa do Mundo de 2010, mas perdeu neste domingo (11) a invencibilidade de 16 meses. Mesmo sem pontuar, o Brasil ainda ocupa a primeira posição na tabela de classificação e na quarta-feira (13) enfrenta a Venezuela em Campo Grande.

A seleção brasileira entrou em campo sem Kaká, Robinho e Luís Fabiano. Dessa vez, o baiano Daniel Alves tomou a responsabilidade e criou as poucas oportunidades do Brasil. Porém, no segundo tempo, o ‘curinga’ de Dunga levou cartão amarelo e não entra em campo na próxima partida.

Em tarde de pouca sorte, Adriano, a esperança brasileira, sofreu contusão no tornozelo esquerdo no final do primeiro tempo e não voltou para o segundo. Além da torção, o atacante sofreu um corte no pé e pode levar 4 pontos no ferimento.

A zaga brasileira apresentava dificuldade no tempo da bola aérea e logo no início da partida, aos 9 minutos, o camisa 7 da Bolívia, Olivares, subiu sozinho e colocou a bola no fundo da rede brasileira, sem chances para Júlio César. O Brasil tentou reagir e aos 19 minutos, Nilmar tocou para Diego Souza que perdeu o gol cara a cara com o goleiro boliviano. Era a chance de empate do Brasil.

Maicon ainda conseguiu marcar de cabeça aos 25 minutos, mas o bandeirinha marcou impedimento do zagueiro Luisão, que atrapalhou outra chance de empate Brasil. Enquanto isso, a Bolívia apostava nas laterais e no jogo aéreo tendo mais posse de bola. Aos 30 minutos, Marcelo Moreno bateu falta com categoria e Júlio César não se mexeu, apenas viu a bola passar para o fundo da rede.

Os torcedores bolivianos não perdoaram o Brasil e gritavam “Olé”. A seleção brasileira perdia por 2 a 0 e continuava sem criar chances de gol. Para piorar a situação do Brasil, aos 41 minutos, Adriano sai de campo carregado por conta de uma contusão no pé esquerdo e não volta no segundo tempo da partida.

No segundo tempo, a Bolívia soube administrar o jogo e o Brasil demonstra reação. Diego Tardelli entrou no lugar de Adriano e Dunga ainda substituiu André Santos por Elano. Mas foi em uma jogada individual de Maicon que o Brasil conseguiu marcar. O jogador arrancou, atravessou o campo com a posse da bola e lançou para Nilmar que de cabeça bateu no fundo da rede boliviana.

Aos 28 minutos, Nilmar ainda perdeu outra chance de empatar o jogo. O atacante bateu forte para o gol, mas a bola não encontrou a rede da Bolívia. Os dois times erravam muitos passes e apesar da reação brasileira, o jogo terminou aos 47 minutos com dois gols bolivianos contra um gol a favor do Brasil.

Desde fevereiro de 1981, a seleção brasileira não vence na capital boliviana em jogos válidos pelas Eliminatórias. A Bolívia enfrenta o Peru também na quarta-feira (12), mas não tem chances de classificação para a Copa do Mundo de 2010.

(Publicada no site Correio24horas.globo.com:
http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=38359&mdl=26)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O show

Por tantas vezes
quis estar de mãos atadas
na areia da praia,
sem choro, sem palavras,
apenas a olhar.
Sentir o reflexo da lua
e as ondas a quebrar no mar,
dividindo a brisa,
compartilhando o beijo.
Queira encontrar uma face opaca
na multidão de vozes
e um toque singelo
em vibrantes melodias.
Mas na explosão de sons,
nenhum olhar disperso,
nenhum sussurro.
A volta ao vazio.

Desafio em reportagem

Economia

Serviço: Saiba o que define os preços das frutas e verduras

http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=36727&mdl=48